domingo, 18 de março de 2012
A floresta, o homem, os paradoxos
Acesso as 18.59 - 18/03 http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/amazonia-legal-desmatamento-direcao-coracao-regiao-679340.shtml
Ao contrário do que se imaginava, a principal causa das queimadas e do desmatamento na Amazônia não é a extração clandestina de madeira para comercialização, e sim a pecuária praticada sem qualquer critério e, não raro, à revelia da lei. Muitos empresários do gado, provenientes, sobretudo, do Sudeste do país, ocuparam grandes extensões de terras públicas amazônicas sem custo nenhum ou então as compraram a preços baixos de inocentes caboclos da região. Nessas áreas, criam e comercializam milhões de cabeças de gado - nos últimos 15 anos o rebanho triplicou.
De acordo com o economista da USP Jacques Marcovitch, em seu livro A Gestão da Amazônia - Ações Empresariais, Políticas Públicas, Estudos e Propostas, "terras gratuitas ou sequer arrendadas ou baratíssimas rebaixam o preço da carne em todo o mercado interno e garantem lucro certo em qualquer hipótese aos numerosos frigoríficos locais". Estima-se que 36% do gado bovino brasileiro é criado na Amazônia Legal e processado em 125 frigoríficos que funcionam lá mesmo. A soja se expande em outro bioma, no Cerrado do Centro-Oeste. Apenas cinco por cento das lavouras de soja brasileiras estão na Amazônia Legal.
O agronegócio na região amazônica nasceu de uma saga desbravadora - sobretudo de migrantes sulistas - iniciada entre o fim da década de 1960 e o início dos anos 1970. Sob o pretexto de que era preciso ocupar o território para afastar uma suposta ameaça de internacionalização, o governo militar incentivou pequenos produtores agropecuários com espírito de aventura a explorar a floresta para implantar ali suas lavouras e pastagens. A proposta era tentadora, já que as terras estavam sendo distribuí¬das gratuitamente. Assim começou a exploração da Amazônia: de forma desordenada, sem qualquer planejamento.
Era de esperar que os resultados de todos esses lucrativos negócios levassem a um clima não só de devastação ambiental mas também de impunidade, grilagem, trabalho escravo, conflitos sociais e criminalidade, inclusive nas cidades que se formaram de maneira caótica à medida que as clareiras eram abertas na mata. A violência tornou-se marca: das 100 cidades do Brasil com maiores taxas de homicídio 33 estão localizadas na região amazônica.
A exploração madeireira ilegal e a corrida pelos minérios também ajudaram a criar um ambiente de terra sem lei. De toda a madeira arrancada da floresta, perto de 80% é ilegal. O garimpo irresponsável de minérios, como cassiterita, bário e ouro, traz complicações ao ambiente, criando paisagens lunares onde antes havia mata, além de poluir a água dos rios.
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